Quando a superfície assume um papel arquitetônico e narrativo

Entre paisagens imaginárias, botânicas em grande escala e novas materialidades, a LondonArt mostra como o wallcovering pode ultrapassar a função decorativa e participar da construção da identidade, da atmosfera e da experiência de um ambiente.

Durante muito tempo, a parede foi tratada principalmente como suporte: uma superfície destinada a receber cor, revestimentos, arte ou mobiliário. Aos poucos, porém, ela vem ganhando outro protagonismo no design de interiores, passando a participar ativamente da narrativa do espaço.

As coleções da italiana LondonArt são exemplos dessa transformação. Folhagens monumentais, paisagens, abstrações, referências orientais e composições quase pictóricas atravessam grandes planos e interferem na percepção de profundidade, proporção e atmosfera dos ambientes.

Na coleção Exclusive Wallpaper, a própria marca propõe superfícies decorativas de forte expressão visual, combinando natureza, geometria, paisagens, texturas orgânicas e padrões gráficos para projetos residenciais e contract, incluindo hotéis, escritórios e espaços comerciais.

Mas o que me interessa nessa abordagem vai além do papel de parede como elemento decorativo: é a evolução da superfície como ferramenta de projeto.

Sala contemporânea com sofá claro e wallcovering LondonArt de folhas tropicais monumentais em tons terrosos e cinza.

Da estampa à paisagem

A parede deixa de receber apenas um padrão e passa a se transformar em jardim, floresta, horizonte, sombra, água, folhagem ou abstração.

Em alguns ambientes, torna-se difícil determinar onde termina a decoração e onde começa a própria arquitetura.

Sob a perspectiva da percepção ambiental e da neuroarquitetura, esse movimento é particularmente interessante. Escala, contraste, profundidade visual, repetição, luz e referências à natureza passam a fazer parte da experiência sensorial do espaço. Isso não significa que uma determinada imagem, isoladamente, produza acolhimento ou bem-estar de forma automática, mas que a composição visual pode ser pensada como mais uma variável do ambiente.

Essa lógica aparece com força em Bon Voyage Cap.2, coleção que reúne paisagens inspiradas no Oriente, florestas densas, campos e cenários que remetem ao Lago de Como. A própria LondonArt apresenta a parede como um ambiente narrativo, situado entre paisagens reais e imaginárias.

Um padrão pode decorar uma superfície. Uma paisagem pode construir uma atmosfera.

E a atmosfera modifica a maneira como lemos e experimentamos um ambiente.

Quarto com cabeceira bordô e wallcovering LondonArt de composição floral abstrata em tons rosados, cinza e azul suave.

Natureza sem literalidade

Outro aspecto que me interessa é a forma como a natureza aparece nessas coleções.

Folhas são ampliadas, paisagens reinterpretadas, flores se aproximam da abstração e elementos naturais são trabalhados por meio de transparências, sombras, sobreposições e mudanças de escala.

Na seleção September, New Atmospheres, apresentada pela LondonArt em setembro de 2026, aparecem trabalhos como Le Jardin Éternel, Le Feuillage Dense, Le Delta Verdoyant, Les Tropiques en Fleurs, La Lumière du Lac e Les Nuages Flottants, alternando botânicas, paisagens e atmosferas mais contemplativas.

Esse caminho amplia uma discussão importante no design contemporâneo: nossa relação com elementos naturais não precisa se limitar à presença literal de plantas dentro dos ambientes.

Natureza também pode aparecer como memória, referência, escala, textura, ritmo, cor e imaginação.

Vejo aí uma possibilidade interessante para abordagens biofílicas mais sofisticadas: em vez de simplesmente reproduzir a natureza, buscar compreender quais de suas características podem ser traduzidas para a experiência espacial.

Sala de jantar com mobiliário escuro e wallcovering LondonArt inspirado em galhos de árvores sobre fundo verde acinzentado.

Materialidade muda a imagem

Quando uma imagem passa a ocupar escala arquitetônica, o suporte também interfere diretamente na maneira como ela é percebida.

A LondonArt oferece determinados desenhos sobre bases bastante diferentes entre si, como linho jacquard, fibra composta com seda e poliéster, viscose fil-à-fil e suporte não tecido PVC-free. A opção PVC-free é apresentada pela marca como reciclável e respirável.

Essa variedade revela algo importante.

Uma mesma composição aplicada sobre uma superfície opaca, fibrosa, texturizada ou com determinado brilho pode produzir resultados perceptivos completamente diferentes.

A imagem deixa de ser somente gráfica.

Ela passa a ser imagem + matéria + luz.

E é justamente nessa combinação que a superfície se aproxima de outras disciplinas: arte, cenografia, moda, arquitetura e design de produto.

Essa transversalidade também aparece na rede criativa da LondonArt. A marca trabalha com designers, arquitetos, artistas e ilustradores e apresenta, entre seus colaboradores, nomes como Marcel Wanders, Ferruccio Laviani, Fabio Fantolino, Cristina Celestino e Elena Salmistraro.

Sala de estar contemporânea com sofá claro e wallcovering LondonArt inspirado em paisagem oriental, com bambus, flores e árvores.

O potencial para a hospitalidade

É difícil observar essas aplicações sem pensar nas possibilidades para a hotelaria.

Em um hotel, criar identidade continua sendo um dos grandes desafios de projeto — principalmente em um momento em que muitos interiores compartilham repertórios semelhantes de mobiliário, iluminação, materiais e acabamentos.

Uma superfície pode oferecer outra camada de diferenciação.

Um corredor pode ser mais do que circulação. Uma cabeceira pode se transformar em paisagem. Um restaurante pode construir sua própria narrativa territorial. Uma suíte pode adquirir uma atmosfera específica sem depender da multiplicação de objetos. Um spa pode trabalhar imagens, materialidades e paletas capazes de contribuir para uma experiência visual mais silenciosa e contemplativa.

A própria LondonArt posiciona suas soluções também para o mercado contract e apresenta aplicações voltadas a hotéis e outros ambientes de alta especificação.

Mas existe um cuidado importante: quanto mais expressiva a superfície, maior precisa ser o equilíbrio com aquilo que acontece ao redor dela.

Mobiliário, iluminação, tecidos, piso, objetos e arquitetura disputam a nossa atenção.

Projetar uma experiência não significa aumentar continuamente a quantidade de estímulos. Significa também compreender onde concentrar intensidade e onde permitir silêncio visual.

Quarto com cabeceira integrada e wallcovering LondonArt de paisagem abstrata com colinas, água e vegetação em tons neutros e dourados.

Superfícies como storytelling

Esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes desta referência.

Falamos muito sobre storytelling no design, mas ainda associamos narrativa principalmente ao conceito apresentado pelo arquiteto, ao posicionamento da marca ou à história que acompanha o projeto.

O próprio espaço também pode contar histórias por aquilo que vemos, percorremos e sentimos.

Uma superfície pode nos remeter a uma floresta sem que exista uma árvore dentro do ambiente. Pode sugerir um horizonte onde há apenas uma parede. Pode trazer profundidade para um espaço compacto, provocar familiaridade, estranhamento ou memória e até interferir em nossa percepção da escala.

A parede passa, então, a funcionar como uma interface entre arquitetura, imagem e emoção.

A LondonArt é uma referência interessante justamente por mostrar que, quando imagem, materialidade e arquitetura começam a ser pensadas de forma integrada, a superfície deixa de apenas revestir o espaço.

Ela passa a participar da construção da experiência.

Vários ambientes com aplicações da wallcovering LondonArt de paisagens diversas.

Curadoria | Camila Contato

Na Curadoria da Contato Consultoria, reúno referências, lançamentos, materiais, projetos e movimentos que considero relevantes para as pesquisas e trabalhos que desenvolvo em design, comportamento, experiência, materiais e hospitalidade.

Esta referência entrou na minha curadoria porque mostra como imagem, matéria, luz e arquitetura podem trabalhar juntas — e amplia o olhar sobre a superfície: mais do que escolher um acabamento, especificá-la pode significar projetar identidade, atmosfera, percepção e memória.

Conheça a coleção Exclusive Wallpaper da LondonArt
Veja September, New Atmospheres — LondonArt